Mobilizações do Campo

Desde o início da pandemia, os movimentos sociais do campo vêm se organizando em duas frentes. Por um lado, a crise econômica e sanitária atinge o campo, dificultando o escoamento da produção agrícola e disseminando a doença em áreas desprovidas de ajuda médica. Ao mesmo tempo, os movimentos prestam solidariedade nas cidades. Nesta seção apresentamos iniciativas nas duas frentes: projetos orientandos para ajudar os moradores das áreas rurais contra os impactos pandemia e projetos de solidariedade campo-cidade, em que organizações rurais organizam a doação de alimentos da agricultura familiar para entidades urbanas. Este tipo de iniciativa ocorre no Brasil afora: abaixo apenas alguns exemplos.

INICIATIVAS DE DEFESA DA AGRICULTURA FAMILIAR E DO MORADOR DO CAMPO

Plano emergencial de reforma agrária popular

O MST lançou uma campanha em defesa do Plano Emergencial de reforma agrária popular. Nele estão as medidas necessárias de proteção e produção para garantir condições de vida dignas para a população do campo. Além disso, faz a defesa de como a pandemia está relacionada com o avanço da crise ambiental, a partir da exploração insustentável dos bens naturais. Por isso, defendem ações em torno da preservação ambiental, reafirmando a importância da reforma agrária é garantir o abastecimento com alimentos saudáveis, a preço acessível.

INICIATIVAS DE SOLIDARIEDADE CAMPO CIDADE

Mãos Solidárias

A ação Mãos Solidárias é uma colaboração entre voluntariados, associações e movimentos sociais no combate ao efeito da pandemia, especialmente a partir da distribuição de alimentos nas regiões mais vulnerabilizads de cidades do Pernambuco. É uma iniciativa solidária entre campo e cidade que, junto à campanha Periferia Viva, ja distribuiram mais de 50 toneladas de alimentos produzidos pela reforma agrária popular. O projeto também envolve a formaçao de Agentes Populares de Saúde, com apoio da Fiocruz. Veja cartilha aqui.


Distribuição de alimentos em Curitiba

Acampamentos do MST, produtores da agricultura familiar e o sindicato de petroleiros iniciaram uma ação conjunta com o objetivo de doar alimentos e gás para famílias em Curitiba e Araucárias. Foram doadas 400 cargas de gás de cozinha e 15 toneladas de alimentos produzidos em diferentes acampamentos de todo estado do Paraná e por produtores familiares. No último dia 30 de julho de 2020, o Mídia Sem Terra (no Facebook) divulgou a distribuição desses itens e mais 1100 pães produzidos pela reforma agrária.

MST Distribui alimentos em Aracaju

25 toneladas de alimentos foram doados pelo MST Sergipe. Fotos: Márcio Garcez

Não são poucas as comunidades urbanas no Brasil afora que tem recebido o apoio dos movimentos do campo no combate à fome durante a pandemia. Em Aracaju, por exemplo, mais de 40 entidades receberam alimentos são alimentos produzidos pela Reforma Agrária, Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e Movimento Camponês Popular (MCP).  Este tipo de iniciativa é uma maneira de escoar a produção agrícola impactada pela crise e ao mesmo tempo prestar solidariedade junto com os moradores de periferias urbanas. Confere a notícia aqui.

CPT doa 45 toneladas de alimentos

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) comemorou seus 45 anos fazendo a doação de 45 toneladas de alimentos. Estes foram produzidos por comunidades camponesas de Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. As doações foram destinadas à famílias em situação de vulnerabilidade, aos hospitais, aos presídios, casas de apoio aos imigrantes, às crianças e às pessoas em situação de rua e de fome.

Petroleiros e agricultores preparam doação de alimentos e gás em Curitiba e Araucária

A união entre petroleiros e agricultores resultou em uma ação de solidariedade a famílias em situação de vulnerabilidade da periferia de Curitiba e Araucária. Distribuíram 400 cargas de gás de cozinha, adquiridas por meio de uma campanha junto aos petroleiros da refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), e 15 toneladas de alimentos frescos, doados por camponeses e camponesas da reforma agrária de cinco municípios, e por produtores familiares de São José dos Pinhais. Leia mais aqui

Lute Como Quem Cuida

O Movimento Sem Teto do Centro (MSTC) e o Movimento Sem Terra de São Paulo (MST/SP) uniram-se para a produção de quentinhas saudáveis para a população em situação de rua e vulnerabilidade da capital paulista. Informações aqui e reportagem aqui.

CESE + Movimento Camponês Popular

“A CESE juntou-se ao Movimento Camponês Popular (MCP), através da Metodologia Dupla Participação, apoiando o projeto “Alimentos dos camponeses na mesa da população urbana em situação de vulnerabilidade” para contribuir no acesso à alimentação saudável de famílias da cidade Goiânia impactadas pela disseminação da pandemia. Além suprir a fome da população urbana mais vulnerável da capital de Goiás, a iniciativa teve como objetivo garantir uma renda mínima para as famílias camponesas, no escoamento dos seus produtos.“ Encontre informações aqui.

Fonte: Blog Luiz Muller

Doações do MST e do MPA chegam a 3.300 toneladas

Para além das ações que tem sido divulgadas diariamente na televisão de grandes corporações, os movimentos do campo têm dado um grande exemplo de solidariedade. De março até agosto, o MST e o MPA já doaram mais de 3,3 toneladas de alimentos, contribuindo para combater o maior medo das periferias brasileiras nesse período: a fome. Além das doações, os movimentos têm um papel central que reforça a solidariedade, a agroecologia, a importância dos movimentos sociais e o papel do povo nas ações realizadas. Leia mais aqui.

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